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Investimentos

O quanto as pessoas realmente sabem sobre finanças?

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No último dia 3 de outubro assisti a uma palestra na Insper da Dra Anamaria Lusardi, conselheira do Tesouro dos Estados Unidos, do Seguro Social norte-americano e do Banco Central holandês em temas relacionados à educação financeira e poupança. Ela ainda foi indicada pelo NY Times como uma das 6 economistas mais influentes do mundo. Tudo isso, pra falar que o que vou escrever aqui não é a minha opinião sobre o assunto, mas de alguém que entende MUITO.

Lusardi desenvolveu um questionário capaz de medir o conhecimento financeiro das pessoas e aplicou nos EUA e mais 12 países do mundo, inclusive vários países europeus, mas excluindo a américa latina. No final da pesquisa, ela chegou a várias conclusões interessantes:

1-      A internet por si só não é suficiente pra ajudar as pessoas

Quando o teste foi aplicado sem acesso à internet, apenas 30% das pessoas responderam corretamente. Quando o teste foi aplicado com acesso à internet o número de acertos subiu para apenas 40%. Conclusão: a internet ajuda, mas não é suficiente.

 

2-      Os jovens, em geral, sabem menos

A pesquisa concluiu por estatísticas que os jovens acertam menos perguntas sobre finanças que os mais velhos. Ela associa isso à vivencia de quem já teve experiência com juros, investimentos, empréstimos, inflação, etc..

 

3-      As mulheres tendem a ser mais “honestas” sobre seu nível de conhecimento

As mulheres tendem a responder mais com “eu não sei” às perguntas de finanças. Mas isso não quer dizer que elas necessariamente saibam menos, pois o nível de acertos é similar aos dos homens. Isso quer dizer, apenas, que elas admitem mais facilmente que não entendem sobre o assunto. Os homens, em geral, têm mais vergonha de admitir o mesmo.

 

4-      A maioria das pessoas se acha “acima da média” no assunto

Quando perguntados sobre que nota as pessoas se dariam sobre seu nível de conhecimento em finanças, 70% se qualificaram “acima da média”. O que, por definição, não faz sentido. Isso, segundo Lusardi, dificulta justamente a disseminação de conhecimento na área. Afinal, se você acha que já entende muito de um assunto, você não vai procurar um especialista, ou fazer cursos sobre.

 

5-      Não basta aumentar o nível de conhecimento para as pessoas pouparem mais

Muitos pesquisadores defendem que basta aumentar o nível de conhecimento financeiro das pessoas pra que elas comecem a poupar mais. Mas isso não é tão simples, segundo Lusardi. As pessoas precisam ter uma renda mínima pra conseguir poupar.

 

6-      Conhecimento em finanças é necessário para inclusão social

Por último, mas não menos importante, Lusardi citou uma declaração do PISA (Programme for International Student Assessment): “saber sobre finanças é uma nova habilidade essencial para que as pessoas possam participar por completo de nossa sociedade”. Não temos como discordar. E só pra lembrar, os países da américa latina são os priores colocados no ranking do PISA.

 

 

Para concluir, deixo aqui uma citação de Ben Bernanke: “Well-informed consumers, who can serve as their own advocates, are one of the best lines of defense against the proliferation of financial products and services that are unsuitable, unnecessary costly, or abusive.”

Seja bem informado, e advogue a seu favor no mundo das finanças!


Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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