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Investimentos

DIs renovam mínimas desde setembro antes de decisão do Copom

Alexandre Tombini

(Antonio Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Continuando o movimento que já dura desde a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), quando foi decidido, na contramão do que a maior parte do mercado esperava que a taxa de juros seria mantida inalterada em 14,25%, os juros futuros caem forte nesta quarta-feira (2). Hoje é dia de mais uma decisão do comitê e as apostas são de que novamente ninguém mexa na Selic, mas no longo prazo, fica claro o que o mercado acha que vai acontecer. 

O DI para janeiro de 2017 opera praticamente estável a 14,06%, mostrando que os investidores acreditam em um corte de juros até o fim deste ano. Mas mais importante que isso, os DIs para janeiro de 2019 e 2020 operam atualmente nas suas mínimas desde setembro do ano passado. Os dois caem respectivamente 6 pontos-base a 14,88% e 12 pontos-base a 15,21% às 16h02 (horário de Brasília). O DI para janeiro de 2021, por sua vez, cai 13 pontos-base a 15,30%. 

Mas por que o mercado começou a precificar uma queda de juros? Para João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos, a conta disso fica nas costas do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e da mudança na comunicação do Banco Central que tem ocorrido desde o fim do ano passado. 

No fim de 2015, todo o mercado acreditava que o BC elevaria os juros este ano para bater de frente com a inflação, que está mais resiliente do que se esperava. Contudo, a autoridade monetária deu um giro de 180º na sua visão após um relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional), que cortava as projeções de crescimento econômico para o Brasil. Os juros foram mantidos em janeiro e os rumores são de que a pressão do PT para uma redução das taxas está fazendo efeito. 

“Quando o Tombini mudou a previsão do Brasil por causa de um relatório do FMI, começou a se admitir agora ficar perto do teto da banda da inflação”, diz Brugger. Para ele, o BC faz hoje uma aposta de que a própria recessão econômica terá um efeito desinflacionário, o que é arriscado porque qualquer mudança no dólar pode trazer uma pressão inflacionária.

Para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) hoje, o economista da Leme Investimentos acha que devemos ter especial atenção para o que farão Tony Volpon e Sidnei Corrêa Marques, que na última reunião votaram para elevar a Selic. A ideia é que se até mesmo os membros mais “hawkish” (agressivos) do comitê mudaram de opinião quanto a um aperto monetário, então a chance do Copom cortar juros no fim do ano é maior. “Se o Volpon votar pela manutenção da taxa, podemos ver a curva fechar ainda mais”, afirma Brugger. 

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