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Investimentos

DIs caem e mercado vê recessão e interferência do PT como destaques do próximo Copom

Alexandre Tombini - presidente do BC

SÃO PAULO – Os juros DI (Depósitos Interbancários) operam em queda novamente depois dos contratos da parte mais longa da curva caírem perto de 30 pontos ontem. Depois de praticamente todos os investidores colocarem na conta um aumento da taxa Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no dia 20 de janeiro, o cenário mudou e já não há mais tanta certeza quanto a um novo aperto monetário. 

Às 12h53 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2017 caía 10 pontos-base a 15,53%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuava 16 pontos-base a 16,13%. Entre outros contratos, o DI para janeiro de 2018 cai 16 pontos-base a 16,08%, janeiro de 2019 tem queda de 15 pontos-base a 16,27% e janeiro de 2021 registra perdas de 13 pontos-base a 16,24%. 

Mais uma vez, a cabeça do mercado é feita pela piora patente da economia brasileira, gerando expectativa de que na próxima reunião os membros do comitê tenham mais escrúpulos antes de subir ainda mais os juros e gerarem um impacto ainda maior na demanda agregada, fora o aumento natural do custo da dívida. “Durante essa semana, eu vi alguns economistas já mudando de ideia e pensando que os juros talvez não devessem ser elevados apesar da necessidade de quebrar as expectativas de aumento de preços. Agora, as expectativas estão saindo de 70% para 50% de aumento de juros em janeiro”, disse um gestor que não quis se identificar.

Porém, há um novo fator que também impacta os contratos de DI. De acordo com o economista-chefe do home broker da Modalmais, Álvaro Bandeira, há uma indefinição política por aqui, com os investidores de olho no governo diante do risco de uma “guinada à esquerda” da política econômica após a reunião de Lula e Dilma.

“Ainda existe a expectativa do que o Banco Central vai fazer com a taxa Selic e se terá autonomia para gerir a taxa de juros”, afirma. A queda dos DIs hoje, para o economista, reflete esta possibilidade de ingerência dos interesses da cúpula do PT na próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) que ocorrerá no dia 20 de janeiro. Aumentando esta tensão está o vazamento de um relatório reservado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em que analistas do banco criticam a política monetária implementada pelo BC sob a gestão de Alexandre Tombini. 

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